segunda-feira, 17 de agosto de 2015

No Brasil Estamos Perdendo a Razão?

Ontem, aqui em Coimbra, eu estava conversando com um querido amigo pernambucano sobre a História de nosso Estado. Recitamos o Hino de Pernambuco, lembramos do carnaval e da bela História do povo aguerrido de nossa terra natal.

Pernambuco sempre foi terra de pessoas guerreiras e comprometidas com os ideais libertários e republicanos. No século XIX tivemos três grandes Revoluções: a Revolução de 1817 ( primeira a constituir uma república, que teve curta duração; além de ter sido a primeira Revolução do Período Imperial Brasileiro a ter reconhecimento na imprensa internacional, notadamente a Norte-Americana); A Revolução de 1824 ( mais conhecida como Confederação do Equador) e a Revolução de 1848 ( a Revolução Praieira). Em todas essas Revoluções, o espírito republicano estava presente e era profundamente defendido. Para além destes movimentos, o povo pernambucano sempre esteve na vanguarda das grandes mudanças sociais, políticas e econômicas do nosso país, as reivindicações feitas pelos pernambucanos estavam conectadas ao universo macro brasileiro, nunca foi algo de "nós" apenas para "nós".

Como pernambucana, nasci também com esse espírito aguerrido, e fui ensinada desde pequena a sempre lutar pela justiça e em favor daqueles que não podem se defender sozinhos. Sempre fui adepta do protesto quando algo não ia bem. Adepta de exigir meus direitos, cumprir meus deveres e analisar os dois lados da moeda.

Ontem, no Brasil, foi dia de mais uma manifestação contra o atual Governo Federal, contra esse novo mandato de Dilma Rousseff. Sempre defenderei o direito de todos de ir às ruas protestar pelo fim da corrupção, por melhorias nos nossos serviços públicos, pela diminuição da desigualdade social que ainda hoje grassa nossa sociedade. Sempre, independente da circunstância, apoiarei o direito de todos exporem suas ideias e desejos, suas propostas para melhorar o panorama político-social do nosso país. Não importa em quem votamos nas eleições passadas, não importa se somos classe A, B ou C... nada disso importa se estamos verdadeiramente comprometidos a melhorar o Brasil, mas melhorá-lo para TODOS os brasileiros, que fique claro!

Acredito que entre aqueles que foram às ruas ontem pedir o "Fora Dilma" e o "Fora PT" haviam sim pessoas que querem uma mudança real e efetiva do panorama político e social brasileiro. Acredito, também, que ali naquela multidão haviam pessoas de poucos escrúpulos que conseguem enxergar apenas seus próprios umbigos. Como acredito que naquele meio haviam pessoas que estão tão vazias de amor que só conseguem pregar ódio com cartazes que pedem volta da Ditadura Militar (Deus nos livre!), que perguntava porque em 1964 todos não foram mortos, cartazes que chegaram ao ponto de perguntar porque Dilma não foi enforcada no DOI-COD.. cartazes dizendo que a Presidenta da República tinha apenas três saídas: a renúncia, o suicídio ou o impeachment. Ali, naquela multidão, também haviam pessoas que não sabiam porque estavam na rua, que não entendiam absolutamente nada sobre o sistema político brasileiro, que não conhecem a nossa Constituição, e que foram às ruas dançar coreografias como se estivessem num carnaval de rua lá em Salvador... Sim, havia todo tipo de pessoas nas ruas ontem, alguns legitimamente e conscientemente pedindo mudanças e outros destilando ódio, intolerância, e pedindo por golpe.

Eu não fui para as ruas ontem porque eu não sou da Direita, eu sou da Esquerda. Sim, eu sou uma pernambucana com inclinações ancestrais pela esquerda. Contudo, isso não quer dizer que sou cega para o que acontece no Brasil. Não quer dizer que não luto e faço minha parte na tentativa de que o nosso país deixe de ser tão corrupto (tanto política quanto socialmente). Não quer dizer que eu não gostaria que Dilma Rousseff melhorasse sua atuação nesse novo governo (mas aí eu lembro: como alguém pode atuar se não está conseguindo governar?). Ser de Esquerda não quer dizer que eu apoiaria uma Ditadura Socialista no nosso país (não sou a favor de nenhum regime totalitário), não quer dizer que eu espero que o Brasil seja Cuba ou Venezuela, ser de Esquerda quer dizer que eu luto pela justa distribuição de renda entre todos os brasileiros, que eu luto por melhores condições de vida para todos os 200 milhões de brasileiros... ser de Esquerda significa dizer que eu luto para que no Brasil chegue o dia em que TODOS nós tenhamos saúde, educação, segurança, alimentação, transporte e moradia de qualidade. Ser de Esquerda não é sinônimo de usurpação... eu não quero tirar de um para dar ao outro, eu quero que ambos tenham as mesmas oportunidades e condições.

Enquanto ser político que sou (e todos nós somos) e historiadora, acredito que a corrupção que existe no nosso país é algo antigo e não atual, sendo assim, não podemos atribuir de forma irresponsável e leviana todos os problemas nacionais sobre os ombros de uma única pessoa ou partido político, todos são responsáveis e no Congresso Nacional raro será encontrar algum indivíduo isento de culpa. Em relação à crise, ela é mundial e não apenas nossa... mas, diferentemente das crises econômicas que já vivenciamos no Brasil (crises tão grandes e graves que ainda me lembro que de um dia para o outro o preço do saco de leite subia mais de 70% em relação ao dia anterior), apenas as crises anteriores eram crises que afetavam a vida cotidiana no concernente a alimentação e contas... eram as crises que faziam surgir campanhas nacionais para salvar as crianças desnutridas do Nordeste. A crise que hoje se vive no Brasil é uma crise do consumo e é o declínio desse consumo, sentido principalmente pela Classe Média e Classe Média-Alta, que está levando muitas destas pessoas a perderem a razão e pedir por golpe e não conseguir esperar para fazer as mudanças de forma legal e constitucional. Eu sempre ouvi dizer que quando se mexe no bolso todo ser humano se indigna... e, numa análise bem rasteira, é mais ou menos isso que vejo acontecer no Brasil (em sua maioria, pelo menos).

Eu acho que devemos sim tentar mudar o panorama de nosso país, devemos procurar alternativas para o melhorar e melhorar a vida de todos os seus cidadãos, mas devemos fazer isso de forma legal e não através de golpismos e ódios. Meu conselho é que todos exerçam seus direitos através do voto. Querem mudar o panorama? Nas próximas eleições para prefeitos comecem essa mudança nas urnas! Querem mudar o panorama da corrupção na política nacional e estadual? Nas próximas eleições para governadores, deputados, senadores, Presidente, façam essa mudança nas urnas.

Mas, por favor, parem de pregar ódios, rancores... parem de agredir as pessoas nas ruas apenas por pensarem diferente de vocês.... parem de desejar a morte de pessoas... parem de se comportar como meninos birrentos que estão com ódio pessoal contra a Presidenta da República e se posicionem como adultos conscientes e com propostas sólidas para melhorar o Brasil para TODOS os brasileiros, e não apenas para "o povo de bem"!


Mais Amor e Menos Ódio, por favor!!   

domingo, 26 de julho de 2015

À Pedro, com amor





Há um tempo atrás escrevi aqui no blog sobre Dona Isabel, uma querida amiga que fiz aqui em Coimbra e sobre como a vivacidade dela iluminou um pouco mais a minha vida, hoje, depois de longo tempo sem escrever por aqui venho falar de outra pessoa que me é também bastante cara. Hoje eu falarei do meu irmão, do irmão que a vida me deu, o nome dele é Pedro, Lola, e o conheço há mais de uma década, mas só vim mesmo a conhecê-lo aqui em Coimbra... é... Coimbra tem me proporcionado muitas surpresas.

Dizem que só se conhece verdadeiramente alguém quando se convive com essa pessoa de forma quotidiana sob o mesmo teto... Pois bem, Pedro chegou aqui em Coimbra no dia 27 de abril desse ano, veio me ver e passar quase três meses aqui comigo.

Quando Pedro chegou, parecia que de certa forma meu lar, meu lugar, tinha chegado com ele. Junto com ele vinha o calor do Recife. As comidas da minha terra e a alegria da minha antiga zona de conforto. Quando encontrei Pedro no aeroporto de Lisboa foi como se junto a ele estivesse toda a minha família e todos os meus amigos deixados do outro lado do Atlântico nessa minha busca por um sonho... No início desse convívio intenso e diário, era o mesmo Pedro de sempre, aquele que eu pensava tão bem conhecer... eu nem sonhava com as surpresas que viriam...

O Pedro que eu aprendi a amar e adotei como irmão, não era aquele que eu pensava conhecer, um ser quase super-humano, todo cheio de qualidades e sem nenhum defeito.... longe disso! O Pedro que eu pensava conhecer era apenas uma ilusão criada a partir de observações superficiais... quando desbravamos Coimbra e o "mundo" percebi que aquele Pedro de Recife não existia... Pedro não era o "meu" Pedro super-humano.... Pedro era o Pedro que eu nunca tinha visto... e perceber isso foi maravilhoso!

Durante 89 dias nós brincamos, falamos sério, brigamos, fizemos birra, nos abraçamos, nos emocionamos... nós nos conhecemos como seres humanos reais e falhos, cheios de defeitos e qualidades... Perceber o quanto Pedro era humano (e não super-humano) foi a coisa mais linda e gratificante da minha vida.

Quando eu, enfim, soube quem era Pedro de verdade, sem máscaras nem subterfúgios, diferentemente do que muitos fazem e pensam, meu amor por ele não diminuiu nem um milímetro... na verdade, meu amor por ele só fez aumentar e se tornar mais sólido e verdadeiro!

É interessante como amar alguém é algo forte e sublime... Quando verdadeiramente amamos alguém, ver essa pessoa de forma plena e crua apenas nos faz amá-lo ainda mais... Por isso, digo a todos você que me lêem: se permitam conhecer seus amigos de forma plena... se permitam conhecer seus familiares (pais, filhos, irmãos, avós, tios, primos) de forma plena... se permitam se conhecer de forma plena... estar aberto para conhecer e perceber o outro não leva ao desamor, pelo contrário, leva ao amor consciente, ao verdadeiro amor: o amor apesar de... porque no final das contas, o "apesar de" não importa se o que se sente é mesmo amor....

Obrigada, Pedro! Sou muito grata pela sua companhia todos esses dias... sou eternamente grata a Deus e ao Universo por ter nos feito cruzar o caminho um do outro... sou grata a você por teres permitido e aceitado ser meu irmão... Sou grata a você por teres me ensinado tanto... por teres me mostrado o verdadeiro Pedro para além de qualquer máscara com que somos obrigados a andar nesse mundo... grata por me amares e por me cuidares... grata por seres verdadeiro comigo e por sempre estares lá para mim, mesmo de forma silenciosa... Obrigada, meu querido irmão por seres quem é: um ser humano lindo com um potencial extraordinário para caminhar na luz dessa estrada tortuosa chamada vida!!!


Já estou com saudades! Essa casa e Coimbra não são as mesmas sem você!!! Volta logo, que Lola quer te conhecer!!! 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Temer é Mais Fácil que Amar




Hoje, depois de tanto tempo sem escrever aqui no blog, não trago uma conversa com Lola, mas um texto que chama todos nós à reflexão sobre a intolerância que grassa a sociedade brasileira atual e, o mundo de forma geral.

Fala-se muito nas redes sociais da intolerância cometida contra o grupo LGBT por alguns cristãos evangélicos e católicos. Em contrapartida, alguns cristãos evangélicos e católicos reclamam da intolerância apregoada por alguns integrantes do grupo LGBT. Há também os praticantes das religiões afro-brasileiras que reclamam da intolerância sofrida por parte de alguns cristãos evangélicos e católicos. Como também alguns cristão evangélicos e católicos se queixam da intolerância por parte de alguns praticantes das religiões afro-brasileiras. E ainda há a intolerância praticada e sofrida pelo posicionamento político, seja esquerda, centro ou direita. Enfim, o que vejo atualmente no Brasil é um crescente culto ao ódio social, em todas as suas esferas.

Alguns justificam suas atitudes intolerantes com base em textos sagrados, sendo as passagens bíblicas as mais citadas. Tudo que não é o "comum" é motivo para ser desqualificado e combatido, afinal, no Antigo Testamento está a Lei de Deus.

Eu, enquanto cristã espírita, não consigo compreender a utilização do texto Vétero Testamentário para exemplificar o que vem a ser "um bom cristão", afinal, os livros que contêm o Antigo Testamento não são o Evangelho de Cristo. Aos que baseiam suas acertivas na Bíblia, eu pergunto se se lembram da passagem do Evangelho, quando Jesus foi questionado pelos discípulos dos fariseus sobre se se devia ou não seguir a Lei de Moisés e dos Profetas, e Jesus, em sua infinita bondade e compaixão responde-lhes que havia dois mandamentos que deveriam ser seguidos e neles estava contida toda a Lei: Amar ao teu Deus sobre todas as coisas e Amar ao teu próximo como a ti mesmo.

Ao meu ver, o verdadeiro cristão se utiliza destas duas máximas para guiar seu comportamento moral, ético e humano. Se eu me declaro cristão, mas apenas apregoo o ódio ao meu semelhante, a intolerância e o conflito, como posso inflar o peito e proclamar que sigo a Cristo? 

O Cristo que eu conheço veio ao mundo trazer a mensagem de Amor de Deus, o Pai de todos nós. Mas o que se vê hoje em dia é uma mensagem de ódio e não de amor. Temor em lugar de caridade. Uma pena que assim seja.

Perdemos tempo tentando qualificar outro ser humano pela sua roupa, sua crença, sua sexualidade, sua ideologia política, ao invés de nos preocuparmos com o que realmente importa e nos unirmos para combater os males reais desse mundo, como a descoberta de uma escravidão contemporânea com as meninas negras e pobres de uma comunidade quilombola no interior de Goiás. É muita perda de tempo e de vida que eu vejo hoje no Brasil. As pessoas estão mais preocupadas em se mostrar superiores a outras do que em efetivamente trabalhar por um mundo mais humanizado e harmônico.

É muito fácil usar o nome de Deus para justificar aquilo que moralmente é injustificável. É muito fácil ser um ótimo ritualista religioso, seguir as regras de sua crença e a praticá-las bem, mas, nem sempre um bom ritualista é um bom homem.

Se apregoa um moralismo social no Brasil, se enche a boca para falar num modelo de "família tradicional brasileira" quando se tem amantes e mal se olha para os filhos. Quem não leu sobre um Deputado da comissão da família, que no Congresso Nacional, durante uma plenária, estava assistindo pornografia? Quer dizer que o modelo de "família tradicional brasileira" é aquele modelo colonial em que a mulher cuida da casa e aguenta tudo calada, o marido é o provedor e tem amantes, e os filhos (exteriormente) fazem e são aquilo que os pais esperam? Então, eu acredito que a família brasileira está mesmo falida. Para mim, família é uma construção de amor que engloba indivíduos diversos que se aceitam e se amam pelo que são e não pelo que se deveria ser. Família é porto seguro e não fachada para propaganda de margarina. Quem pode dizer que tal família é melhor que qualquer outra família? Você? Eu? Ele? Ela? Quem criou a quantificação do valor do amor?

E, por falar em amor, há também intolerância em relação a forma de amar... incrível isso! Se eu sou uma mulher e amo um homem, eu sou bem vista e bem aceita... mas e se for um homem que ame outro homem? ou uma mulher que ame outra mulher? Não pode? Mas, quem estabeleceu a regra de que existe regra para o amor? Deus, que criou tudo o que há, veio a Terra e decretou isso? Deus, que é Pai e perfeito, a expressão sublime do Amor, verdadeiramente condenaria alguém por amar? Não acredito nisso. Acredito sim, que Deus daria tarefas mais árduas a todo aquele que pôde mas não praticou o amor, não o amor da carne, das paixões do ego, mas o Amor divino, aquele que de si tudo dá e nada pede em troca, Amor abnegado e que jamais espera recompensa, esse é o real Amor de Deus.

Como, eu pergunto, podemos sinceramente julgar alguém? Quem somos nós? Quando Deus outorgou o poder de julgamento a um simples ser humano, falho e imperfeito? Quem de nós não tem erros pretéritos e pode, de forma ilibada, atirar a "primeira pedra" sobre qualquer ser humano do Universo? Quem?!? Pois é, nenhum de nós tem esse poder, nem essa alma límpida e "sem pecado"... Então, porque julgamos o nosso próximo ao invés de conhecê-lo e amá-lo?!?

Nós julgamos e não amamos, porque é mais fácil o julgamento e o temor do que sentir e expressar o amor. Amor é coisa difícil, acreditem. Para que possamos amar alguém, primeiro precisamos amar a nós mesmos, contudo, antes de amarmos a nós mesmos precisamos saber quem somos e é aí que a coisa complica. Pensamos que somos algo, que somos assim e somos assado, mas na realidade não sabemos quem somos, pois, a ideia que temos de nós é ilusão, apego construído através do ego que nos projeta aquilo que gostaríamos de ser mas que em realidade não somos. Para saber quem somos faz-se necessário um mergulho em si mesmo, uma reformulação íntima... apenas assim saberemos quem somos e conheceremos nossos defeitos e qualidades... mas, a maioria de nós não quer fazer isso, porque é dolorido, demorado e solitário... contudo, ao meu ver, é apenas depois disso que se pode amar a si mesmo e então amar o próximo... Por isso que hoje amamos pouco e odiamos mais.

O ego nos pega de jeito. É o orgulho, a vaidade, o egoísmo, a prepotência, a intolerância, a arrogância, a mesquinhez, o desamor, a falta de compaixão, a raiva, o ódio... tudo isso está contido no ego, impulsionador das paixões animalescas e instintivas. É mais fácil ser ego, porque ser ego é não modificar-se é seguir a maré e reproduzir comportamentos, preconceitos e estereótipos... é dizer: se todos fazem, porque não eu? É mais fácil apedrejar uma criança que faz parte de um terreiro, do que amar essa criança... É mais fácil debater e ameaçar porque uma pessoa se crucificou na parada gay de São Paulo do que bradar contra os assassinatos dos homossexuais brasileiros. É mais fácil falar mal de quem é da esquerda ou da direita do que se construir propostas reais de mudanças concretas para o nosso país. É mais fácil falar de coisas fúteis do que se posicionar sobre os desmandos de Eduardo Cunha na Câmara. É sempre mais fácil alimentar e criar conflitos do que tentar agir e viver em harmonia. Afinal, a harmonia para existir requer que respeitemos o nosso próximo em todas as suas particularidades, mas, para isso, seria necessário conhecer e entender o próximo, quiçá se colocar no lugar dele, porém, se prefere bater, matar, humilhar, desqualificar, perseguir e xingar o próximo... é mais fácil temer que amar, não é? E é muito mais fácil se fazer temido do que se fazer amado.

Eu apenas me pergunto até quando se utilizará de máximas religiosas, racistas, segregacionistas para se tentar justificar o injustificável?!? Até quando se continuará a temer?!? E a ser temido?!? Hoje em dia se tem medo até mesmo de uma marca de perfume! Inacreditável! Imaginem se começarmos a ter medo do convívio social?!? "Não sairei de casa porque poderei encontrar algum gay na rua e só de olhar para ele eu também "virarei gay"".... "Não sairei de casa porque poderei encontrar um pastor ou um padre e só de ouvi-los posso me converter"... "Não sairei de casa porque posso encontrar um umbandista e só de cruzar com ele estarei fazendo oferenda para orixá"... "Não posso sair de casa porque posso cruzar com um negro e só de olhar para ele terei uma super produção de melanina e ficarei negro também"... "Não posso sair de casa porque posso cruzar com alguém do PT e só de olhar para ele votarei no PT também".... "Não posso sair de casa porque posso cruzar com alguém do PSDB ou DEM e só de olhar para ele votarei no PSDB ou DEM também".... a paranóia social está chegando a tal ponto que se converte em incredulidade... 

Eu, particularmente, preferirei sempre Amar ao invés de Temer! O Amor nos mói, nos purifica, separa o joio do trigo, nos molda, nos engrandece e nos ilumina... e é esse o caminho que eu tento seguir todos os dias: o de amar, sem selecionar a quem, sem quantificar e sem esperar nenhuma recompensa... E, espero de coração aberto, que um dia todos aqueles que apregoam a intolerância, o ódio e o temor à todos aqueles que são diferentes de si, também consigam chegar a amar e deixar de temer e ser temido!