quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Coimbra, a cidade dos anos 80!!!




Depois de quase um mês nas terras de Camões, as peculiaridades das pessoas que povoam aquela que foi a primeira capital lusitana vão ficando mais claras e compreensíveis. Sim, Lola! Ainda não entendo muito bem o português falado aqui, às vezes tenho a impressão que estou num filme com uma dublagem de um dialeto que se parece com a língua falada no Brasil, mas que é muitíssimo diferente!

Não, Lola, já não pago mais micos (ao menos não diariamente!)!

Bem, mas voltemos ao tema principal desse post! 

Uma das coisas que mais me chamaram a atenção na noite de Coimbra foi o fato de que aqui, sextas e sábados ganham outra significação! Aqui, as sextas são, na verdade, as terças! E os sábados, as quintas! Sim, Lola, isso mesmo! Aqui em Coimbra, os dias de agitação, balada e, obviamente, azaração, são no meio da semana! 

Coimbra é essencialmente uma cidade estudantil. Normalmente aos fins de semana a cidade se esvazia. Os estudantes partem para suas cidades natais e só retornam às segundas para retomar o ritmo de aulas. Aqui é o paraíso para quem gosta de uma cerveja gelada, de uma vodka ou qualquer que seja seu 'apetite etílico'!

Imagina, Lola, se no Recife houvesse um bar que vendesse "12 finos à 5,00"?!? Imaginou?!? Seríamos uma cidade de alcoólatras !! rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs  

Desse lado de cá do Atlântico, existem bares que vendem 12 finos (tulipas de cerveja) à 5,00 euros... ou seja, com 10,00 euros você sai cantando o hino de Portugal, músicas da Anita (eca!) e toda a sorte de canções que todo mundo odeia e só se lembra na hora da embriaguez desenfreada!

Além dessas "promoções", as discotecas (sim, Lola, discotecas, porque aqui Boate é o sinônimo de nossos 'Cabarés', sacou?!?) não cobram entrada e, na maioria, o consumo mínimo é de 2,00 euros... já pensou o UK ter entrada free e o consumo mínimo ser 6,00 reais?!? A casa viria abaixo pela quantidade de gente/noite! 

Nas minhas 'pesquisas antropológicas' da vida noturna conibrisiense, fui a um pseudo bar de rock (como era de se esperar) e fiquei empolgadíssima ao ver a decoração... Iron, Doors, Elvis... todos enfeitavam as paredes... mas, ao fim e ao cabo, passei a noite, Lola, me sentindo um ícone dos anos 80... sim, Lola! A balada rock aqui é ouvir toda uma playlist da década de 80, com direito a passeios e projeções de Travolta arrebentando na pista de dança!

E não só nas baladas pseudo-rock se vê essas pérolas dos 80's!

Mas, Lola, se você pensa que o infortúnio acaba por aí, bem... enganou-se, querida amiga! Existem discotecas com 'noites brasileiras'... Você pensa: uau! mpb, samba de raíz... talvez um Lenine, Titãs... Piada!!! Aqui a 'noite brasileira' é recheada de tudo aquilo que nem quando estava no Recife eu ouvia! Michel Teló, Gustavo Lima, Axé, Calcinha Preta, Belo e todo esse lixo 'made in Brazil' que é produzido por esses nossos, coff-coff, "Artistas"! Palhaçada!!! Mas, bem, como ouvi dos gerentes de alguns desses bares: 'é música comercial para animar os estudantes... macarenas!" Eu ri para não chorar, Lola!!!

Mas, bem, minhas irmãs amariam ir a essas baladas! Mas, que fique claro, MINHAS IRMÃS, NÃO EU! Para quem gosta desse tipo de música, a noite de Coimbra é um prato cheio!

Pois bem, continuarei com minha pesquisa antropológica da cidade com espírito dos anos 80 na tentativa de encontrar lugares mais próximos aos que as "Lolas Recifenses" vão curtir suas noites! Até a próxima, que prometo, será logo!!!




quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A Difícil Vida das "Pré-Cotas" em Coimbra...

Sim, sim, Lola, sei que andamos um pouco desaparecidas do universo cibernético! Mas, as amigas e amigos precisam saber que nosso breve afastamento se deveu a uma mudança de ares.. agora estamos fazendo nossas análises "antropológicas" em terras lusitanas... sim, queridos leitores, estamos a viver agora as aventuras de Lola em terras de além mar!

Pois bem, antes de começarmos a nossa epopeia lusitana, faz-se necessário que expliquemos o que viria a ser Mulheres Pré-Cotas... pois bem, Mulheres Pré-Cotas seriam as balzaquianas (que não são mais brotinhos de 20 anos, nem tampouco lobas de 40)!

Aqui em Coimbra, a vida das Pré-Cotas não é fácil não, Lola! Pense numa cidade universitária, cheia de meninos e meninas na casa dos 20 anos... com bares e restaurantes infinitamente mais acessíveis ao público estudantil do que os de Recife (ou qualquer lugar do Brasil)... isso é um perigo para as Pré-Cotas!!! Afinal, ninguém quer ser detida por infringir o ECA lusitano, não é Lola?!?

Em Coimbra, o esquema pras Lolas é simples: estudar, ir à museus, mostras de filmes, mostras de balé... rock, Lola?!? Piada! Rock aqui é ouvir Abba e ver Travolta arrebentando na pista de dança!!! Isso mesmo, Lola!!! Que saudade que me dá do bom e velho Burbs e seu mundinho underground!!! Aqui é o paraíso para os romances infanto-juvenis! Com bares vendendo 12 finos a 5,00 euros... O que são finos, Lola?!? Finos são copos longos e, óbvio, finos de cerveja... já imaginou isso no Brasil?!? 12 copos de cerveja por 5,00 reais?!? Teríamos 90% dos graduandos com sérios problemas etílicos!!!

Se esses dilemas das Pré-Cotas acontecem em todas as cidades lusitanas, Lola?!? Não sei! A única coisa que eu sei, com certeza, é que agora começaremos a publicar as odisseias lusitanas... crônicas, pequenos relatos, aventuras diversas, micos e coisas hilárias ocorridas comigo, com as zamiga, contigo Lola, em terras portuguesas!!!


Sejam bem-vindos, meus queridos amigos, ao universo Europeu de Lola!!!!


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

De Mera Estatística à Ser Humano!

Hoje ao voltar do trabalho decidi não descer na minha parada habitual e seguir com os colegas até o Derby, onde voltaria para casa com uma colega de trabalho que não queria dirigir sozinha essa hora da noite pelo Recife.

Bem, seria uma noite normal depois de um dia atribulado... seria, mas não foi!

Não reconheci o Recife por onde passei! O centro da cidade era outro! Ruas e avenidas eram outras! Nada de buzinas, nem de trânsito, nem de pessoas andando apressadas pelas sendas recifenses sempre atrasadas ou em busca de algo! Conheci o Recife dos homens e mulheres sem identidade, nem nome, nem rostos...

O centro do Recife, depois das 23:30, é terra de ninguém! Deserto árido em plena selva de concreto! Nas calçadas papelão esticado, bolas humanas enroladas em cobertores rotos na tentativa de fugir do frio da noite, abrigados embaixo de marquises e toldos para se esquivar dos pingos da chuva que cai!

Esse é um Recife que não frequento! Nunca passei pela Conde da Boa Vista nesse horário, em dia de semana! Nunca reparei nos Joões e Marias-Ninguém que povoam o dia à dia da cidade! Aqueles mesmos Joões e Marias-Ninguém que durante manhãs e tardes estendem suas mãos em busca de uma moeda... que seguem as senhoras e moças desatentas às suas bolsas à espera da oportunidade de levá-las consigo! Não! Esse não é o meu Recife! E na verdade, é o Recife verdadeiro! O Recife que fechamos os olhos para não ver, que viramos o rosto para fazer de conta que não está lá! Mas, ele está lá, Lola!!!

Alguns dos que lerem essas linhas vão dizer "isso é culpa do governo" ou "isso é culpa da prefeitura", "culpa do poder público"... sempre é culpa do 'outro', nunca minha!

Meus queridos, a culpa é NOSSA! Da nossa inapetência em sermos humanos! Em sermos solidários e humildes para perceber que ali, naquelas calçadas, vivem avós, tios e tias, pais e mães, irmãos e irmãs de tantas e tantas pessoas que tiveram a infelicidade de se encontrar sempre à margem! Ah, Kafka! Como é atual sua metamorfose! 

Esses pseudo-humanos, seres sem qualquer valor para a sociedade, mera estatísticas do IBGE e órgãos afins, são os Gregor Samsa da cidade do Recife! São os indesejados das gentes! São os bestializados de Manuel Bandeira, que catam seu alimento na lata do lixo! Seremos nós no futuro, Lola, quando a indiferença diluir definitivamente a humanidade que ainda resta em alguns nos dias de hoje! 

Não, Lola, eu sei que não posso mudar o mundo! Mas posso mudar a minha forma de andar por esse mundo! Posso tentar humanizar o Homem-Estatística e torná-lo, novamente, o Homem-Humano, o Homem-Gente. Como eu posso fazer isso, Lola?!? Simplesmente abrindo os olhos!!!