segunda-feira, 11 de março de 2013

Novos e Velhos Tipos de Homem-Roubada... Xico Sá II





Todo começo de ano, como serviço de utilidade pública, alertamos  sobre tipinhos de alta periculosidade. Agora não será diferente, em edição revista e ampliada, velhos tipos e algumas confissões de fraqueza deste cronista:
Homem-gourmet – A cerveja dele é gourmet,  o café é gourmet, até a água é gourmet. Se tudo é gourmet, perdão pela grosseria, mas nada de te comer. Corra, Lola, corra.
Homem-ocupação - É o tipo que sempre tem uma causa. Ótimo. O mundo carece destes homens de boa vontade. O problema é que de tanto salvar o mundo, ele esquece justamente de você. Desocupa a área, Lola, desocupa.
Homem de predinho antigo – Até este macho-jurubeba que vos fala já capitulou e mora em um destes endereços. E logo eu que dizia que todo homem que habita um predinho é, para dizer o mínimo, um metrossexual enrustido.
O pior não é morar em tal lugar. O que mais dói é quando ele pronuncia, como toda a afetação desse mundo, que mora num “predinho-antigo-charmoso”. Pelo menos desse mal não padeço.
O cenário do homem de predinho antigo é o seguinte: você entra, resistente leitora, e avista logo umas revistas chiques estrangeiras espalhadas pela sala, tipo “ID”, “Wallpaper” etc.
O cara manja de decoração e entende de iluminação indireta. É cada luminária de design que só vendo! Possui também cadeiras ou poltroninhas de grife, aqueles estranhos móveis com nome de gente.
Sim, habito um predinho antigo, mas, fora um ou outro presente das moças, pelo menos no critério decoração mantenho a integridade jurubebística.
Homem-hortinha – Aquele mancebo que, ao receber as moças elegantemente para um jantar, usa o manjericão cultivado na própria hortinha que mantém no quintal ou na área de serviço.
Cultivar o próprio manjericão não é exatamente o defeito do rapaz. O problema é que ele passa duas horas a discorrer sobre o cultivo da hortinha. Uma amiga, coitada, conheceu um destes exemplares que cultivava até a própria minhoca usado como “fator adubante” da própria hortinha.  Corra, Lola, avoe, mina!
Homem-bouquet – Aquele macho que entende de vinhos finos, abre a garrafa cheio de drama e nove-horas, cheira a rolha, balança na taça, sente o bouquet e curte o amadeirado. Gostar de vinho bom, velho Baco, não é um delito. Pecado mesmo é arrotar esse conhecimento por horas nas oiças da moça. Dispare, Lola, dispare enquanto é tempo.
Homem-Ossanha – Trata-se daquela cara que repete o comportamento da música “Canto de Ossanha”, como no samba de Vinícius de Moraes e Baden Powell: “O homem que diz vou/ Não vai!” O cara que assanha e cai fora.

Esse cara já fui eu, fomos, não é, amigo? Haja carapuça. Todo macho tem seu momento de frouxo. O mal é manter esse comportamento como regra, caso da maioria dos homens do nosso tempo. Vaza, Lola, vaza!

O Drama do Homem Espátula... Xico Sá I




Queridas amigas, hoje colocarei aqui doi textinhos do meu querido Xico Sá, para clarear um pouco as ideias de nós moçoilas no que diz respeito aos mancebos em nossas vidas...



Mais do que a era do amor líquido, vivemos o tempo do amor esfarelado, que acaba muitas vezes antes de bater o bolo.
Uns ainda se bolificam, a Lola espera o traste, que passara semanas tirando onda, no flerte, na corte, no 171 permanente do ambiente de trabalho, “como você tá linda hoje, nossa!” etc.
Todas as condições históricas estavam dadas, como diria meu coração comunista.
E coube ao desalmado, conta a leitora, brasileiríssima debaixo das palmeiras da Flórida, a iniciativa da saída. Ela estava ansiosa por algum convite.
O cara, qual um homem do tempo, viu até que faria frio no final de semana, o que não seria nada comum naquelas plagas.
“Seria ótimo degustar um vinho em sua companhia!”, disse, depois do um papo meteorológico.
De imediato, ela pensou:
“Queria que me degustasse!”
Mas, enfim, naquela esperança de que o vinho levasse a algo mais, calmamente disse sim: “Domingo seria perfeito!”
Tudo marcado, a moça depila, aqueles banhos bem-tomados, um jogo de adivinhação no chuveiro de como seria o cara, a nega toda trabalhada na Victoria Secret e outros badulaques etc.
Chega a fatídica hora e nada. O tempo passa, torcida brasileira, e necas. Ela manda uma mensagem de texto. Não vem nada de volta nem em Código Morse, domingo dos tambores silenciosos na selva de Miami, silêncio no planeta.
É, Lola, bata os ovos… junte a farinha… adicione o fermento e misture com a espátula do abandono, com a espátula do desprezo…
Estavam dadas as condições técnicas para o bolo. Um tremendo Souza Leão, um irresistível bolo de rolo, o chocolate da carência ou da larica de viver.
Somente na segunda-feira, a caminho do trabalho, ela recebe uma lacônica mensagem-cupim: “Trabalhei até tarde ontem”.
O que dizer?
Esse ai, amiga, nem podemos rotulá-lo de homem de Ossanha, o que diz que vai e “não vou”, como na canção de Baden & Vinícius. O Ossanha assanha, tira uma onda, arrega, não chega junto, mas pelo menos avisa, inventa uma desculpa.
Sim, ele tem um traço de homem-bouquet (vide posts anteriores), note-se que ele usou o perigoso verbo “degustar” em vez de beber, tomar um vinho etc.
Esse ai poderia ser chamado de homem-espátula, confeiteiro maluco, qualquer coisa óbvia do mundo do bolo e do forno em fogo baixo. Esse ai nem untado na manteiga, como no filme “Último tango em Paris”,  funciona.


Xico Sá - Folha de São Paulo

sábado, 9 de março de 2013

O Medo...

El Miedo...






Começo o texto de hoje tendo como mote a música de Lenine "Miedo"... logo em seu começo ouvimos o seguinte: "Tienen miedo del amor y no saber amar/ Tienen miedo de la sombre y miedo de la luz/ Tienen miedo de pedir y de callar/ Miedo que da miedo del miedo que da... Infelizmente é tão comum essa sensação de medo que nos dá diante dos desafios que a vida nos impõe! O primeiro é o medo de amar! Ah! Amar dá um medo paralisante, porque amar é tornar-se vulnerável ao outro, mostrar-se sem máscaras nem subterfúgios, ser e estar verdadeiro e inteiro com o outro... amar é jogar-se no abismo sem paraquedas e de vendas nos olhos, porque o amor não mostra o futuro, não é clarividente, o amor é instante, dia a dia, pulsar de corações, frio na espinha...e quando esse amor não é correspondido é um tal de Deus nos acuda!!! Porque todos os sintomas estão lá, mas o remédio não quer chegar às suas mão... aí, o negócio começa a desandar, e você começa a ter medo que o outro, aquele que não te ama como você queria, perceba o seu suor frio, seus olhos brilhantes e sua cara de idiota todas as vezes que o mancebo-amor está por perto... o amor me dá um medo de morte!!!

Mas, continuando nas linhas do amado Lenine temos o seguinte:  Medo de olhar no fundo/ Medo de dobrar a esquina/ Medo de ficar no escuro/ De passar em branco, de cruzar a linha/ Medo de se achar sozinho/ De perder a rédea, a pose e o prumo/ Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo... temos sempre em nós o medo de nos conhecermos a nós mesmos, de forma profunda e plena. Medo de sabermos quem somos realmente, com nossas belezas e feiuras. Nossas qualidades e defeitos. Esse, na minha opinião, caras amigas, é o segundo maior medo que sentimos em nossas vidas. É aterrorizante conhecermos nós mesmos assim tão profunda e definitivamente. E se abominarmos o que descobrirmos? E se não gostarmos de quem nós somos? E se, ao despir as máscaras tão cultuadas pelos gregos, quisermos recolocá-las e não mais conseguirmos? Bem, a dica é: mude!!! Transforme-se naquilo que você pensou que fosse, mas não era, sacou?!? Além do medo de descobrir-se a si mesmo, existe também o medo do desconhecido... o medo das oportunidades que surgem e que você fica na dúvida "vou? não vou? vai ser bom? vai ser ruim? e se eu não me adaptar?" Enfrento esses dias um dilema destes. Na busca pelo doutoramento, me lanço em duas seleções... uma que pode me levar para a selva de pedra de São Paulo e outra que pode me carregar para o além-mar.... Medo do que virá?!? Claro! Desistir de ir?!? De jeito nenhum!!!

Lenine, sabiamente nos diz como o medo pode nos impedir de viver, não coisas boas ou ruins, mas de VIVER nossas vidas tal qual ela se apresenta nas veredas dessa estradas, e como viandantes trôpegos e vacilantes, vamos, mesmo sem querer, deixando passar oportunidades que o tempo não nos traz de volta... por que se formos pensar, ainda utilizando a música de Lenine, teremos medo assim: Medo de fechar a cara/ Medo de encarar/ Medo de calar a boca/ Medo de escutar/ Medo de passar a perna/ Medo de cair/ Medo de fazer de conta/ Medo de dormir/ Medo de se arrepender/ Medo de deixar por fazer/ Medo de se amargurar por aquilo que não se fez/ Medo de perder a vez/ Medo de fugir da raia na hora H/ Medo de morrer na praia depois de beber o mar...

Então, meus amores, vivamos sem medo... ou se o medo surgir em nossas sendas, que tenhamos a coragem de continuar mesmo sentindo medo!!!!