quarta-feira, 27 de março de 2013

As Pequenas Felicidades





Existem pessoas nesse mundo que acreditam que a Felicidade deve vir para suas vidas de forma grandiosa! Tal qual Marilyn Monroe entrando num grande palco! E eu digo a essas pessoas: a Felicidade, caras amigas (e amigos), vem em pequenas doses, de forma silenciosa e tão sublime que às vezes nem a percebemos chegar. Ela é feita de pequenos retalhos diários, que formam, no findar de nossa existência, uma imensa colcha colorida e inquebrantável!

As pequenas felicidades é o que nos interessa de verdade! Essas, Lola, são feitas todos os dias, desde que abrimos os olhinhos para o mundo pela primeira vez. Muitas vezes, as pequenas felicidades são como redemoinhos de poeira que chegam até você e te impregnam com sua essência. Num primeiro momento, você se pergunta porque aquele redemoinho resolveu sujar logo você e não outra pessoa; num segundo momento você se pega rindo da audácia daquele pequeno redemoinho, e se toca que ele deixou marcas em você, mesmo que pequenas, minúsculas, mesmo que tenha sido apenas um retorno à momentos de infância.

Hoje, Lola, um pequeno redemoinho passou por mim. Ou seria, retornou a mim?!? Acho que o verbo certo seria esse: retornar! Esse mesmo redemoinho passou por mim há exatos 17 anos! Lembro ainda como se fosse hoje. Era o ano de 1996 e eu começava o ensino médio. De repente, numa manhã de terça-feira, entra na sala aquele que seria o meu mais querido professor: Aluízio Mandu.

Mandu era meu professor de inglês, bem, pelo menos oficialmente! Mas, na verdade, Mandu era nosso professor de filosofia e literatura inglesa. Era nosso professor que trazia para a sala de aula questões da existência humana. E qual não foi minha surpresa essa manhã, depois de anos procurando por ele (porque, Mandu, com o passar do tempo tornou-se meu amigo) o encontro nas sendas facebookianas! Nunca senti uma pequena felicidade tão grandiosa, Lola! Chorei ao vê-lo ali na tela, na minha frente, e lembrar-me das singelas palavras que ele um dia me escreveu nas veredas longínquas do tempo: 

"Priscilla - sempre querida,

O tempo passa e com ele as pessoas. Mas, algumas permanecem e, desta forma, tornam a ação do tempo ineficiente. Você é uma dessas pessoas que vão estar sempre comigo, invalidando a ação do tempo.

Beijos,

Mandu"

Não,Lola, pequenas felicidades não são tristes! Sim, sim, Lola, eu chorei! Eu chorei, como choram todas as pessoas que um dia se perdem de algo ou alguém que marcou suas vidas e, quando menos se espera, reencontra-se frente a frente (mesmo que através da tela do pc) com aquela coisa preciosa que sempre andou contigo, na mente e no coração. Foi por isso que eu chorei, Lola! Porque, Mandu foi o amigo, no dizer de Unamuno, que me mostrou a mim mesma!

Ainda me lembro quando ele chegou na sala de aula e nos entregou o texto de Henry David Thoreau, que dizia: “I went to the woods because I wished to live deliberately, to front only the essential facts of life, and see if I could not learn what it had to teach, and not, when I came to die, discover that I had not lived. I did not wish to live what was not life, living is so dear; nor did I wish to practise resignation, unless it was quite necessary. I wanted to live deep and suck out all the marrow of life, to live so sturdily and Spartan-like as to put to rout all that was not life, to cut a broad swath and shave close, to drive life into a corner, and reduce it to its lowest terms.” Aquele momento, aquele texto, mudou muito a forma como eu via a vida!


Mandu, eu entrei na floresta! Mandu, eu busco construir, todos os dias, na minha floresta, alicerces que me mostrem, ao findar da caminhada, que viver valeu mesmo a pena! Que eu vivi de uma forma que valeu a pena!


Obrigada, Mandu, por ter me proporcionado uma das mais sublimes, singelas e profundas pequena felicidade desses meus dias!!!


E, Lola, você também já viveu uma pequena felicidade assim?!? Se já, fico feliz por você, Lola! Se não, corre Lola, corre! Que as pequenas felicidades veem e vão e se você não abrir os olhos elas passarão despercebidas, sem deixarem arco-iris para enfeitar teus dias!!!

O Mancebo Suspiro!


Toda Mulher-mancebo tem seu Mancebo Suspiro. Não, Lola! Não é como o suspiro da padaria! O Mancebo-Suspiro é aquele que deixa a Mulher-Mancebo com cara de boba, abestalhada mesmo! Ele serve para alegrar nossos dias! Fazer mais amenas nossas noites! Falar com um Mancebo-Suspiro é sentir-se com borboletas flutuando na barriga... Você já sentiu isso, Lola?!?

O Mancebo-Suspiro surge em nossas vidas quando menos esperamos. É aquele amigo que faz das manhã chatas de domingo uma pintura renascentista, cheia de cores e luzes! É aquele companheiro de conversas na madrugada que transforma nosso amanhecer em algo tão singelo quanto as cores da aurora!








O Mancebo-Suspiro pode acalentar o silêncio que habita a Mulher-Mancebo mesmo estando muito longe! Vocês podem se falar pelo telefone, pelo skype, não importa Lola! O que importa é que sempre que você dialogar, olhar ou pensar no Mancebo-Suspiro, você ficará com aquela cara de boba, aquele sorriso sem motivo que fará as pessoas se perguntarem: o que será que ela está pensando?!? Mas, Lola, existe coisa mais linda do que tirarmos nossa couraça de vez em quando e ficarmos com cara de menininhas que estão prestes a cometer uma travessura?!? Eu te digo, Lola, sem medo de errar, que não, não existe!

Como é feliz a Mulher-Mancebo que tem em sua vida um Mancebo-Suspiro (ou dois ou três, vai saber?!?)!!! Ela se sente sempre pequena e frágil perto dele... Não, Lola, a Mulher-Mancebo não pensa no Mancebo-Suspiro como potencial namorado, rolo ou algo do tipo! Pensa em outra coisa, Lola! A Mulher-Mancebo vê em "seu" Mancebo-Suspiro o toque de colorido que faltava na palheta de sua vida! Às vezes o Mancebo-Suspiro perdura pela vida toda da Mulher-Mancebo, às vezes ele existe como tal por uma curta temporada... mas, a durabilidade, o tempo de sua presença na vida dela não importa! O Tempo aqui torna-se metafísico! Inexistente! Veja, Lola! O Mancebo-Suspiro não convive com a Mulher-Mancebo todos os dias o dia todo... eles se falam de vez em quando... se veem de vez em quando... mas, na vida dela ele está presente todos os dias, sacou, Lola?!? Algumas vezes, nos momentos mais escuros da vida de uma Mulher-Mancebo, o que a salva de sucumbir é mentalizar seu Mancebo-Suspiro... porque onde havia escuridão, agora existirá um arco-íris de luz... como um bando de borboletas invadindo um campo de girassóis! Nesses momentos, a Mulher-Mancebo pode até mesmo ouvir a voz do Mancebo-Suspiro, e sua risada, como se o vento as trouxesse até ela para dizer que tudo vai ficar bem!

Ah, Lola! Como é bom saber que existem nesse mundo a fora Mancebos-Suspiros para colorir e alegrar nosso dias... porque estamos cansadas do convívio com os Mancebos-Jurubeba... façamos uma campanha, Lola?!? Topas?!? Mais Mancebos-Suspiros!!! E menos Mancebos-Jurubeba!!!

Boa noite, Lola!! Vou indo!! Meu Mancebo-Suspiro me aguarda com sua risada, seu sorriso e sua voz, aqui, nos meus pensamentos!!


terça-feira, 26 de março de 2013

A Mulher Vintage


Caras amigas, é incrível perceber que no mundo atual, apesar de todas as mudanças comportamentais, o universo Jurubebístico ainda busca a tão sonhada Mulher-Vintage... Algumas de vocês vão se perguntar: WTF é uma Mulher-Vintage?!? Bem, queridas amigas, abaixo segue a descrição desse ser de características um tanto quanto mitológicas!


Para começar, pense em sua avó! Pensou, Lola?!? Pois bem, a Mulher-Vintage seria um pouco como ela. No ideário do Mancebo-Jurubeba, essa espécime de mulher estaria sempre a postos para agradar-lhe. Preparar sua comidinha, tirar seus sapatos quando chegasse cansado do trabalho e calçar-lhe o chinelo... passar suas camisas com goma (mesmo no calor infernal que está fazendo em Recife ultimamente!)... fazer os vincos de suas calças... deixar o chão da casa brilhando e inventar receitinhas saudáveis e saborosas para variar o cardápio da semana... Sacou, Lola?!? Num primeiro momento, o Mancebo vê a Mulher-Vintage como seu avô via sua vó! Vai encarar, Lola?!? 


Lola, querida, quando eu falo que o Mancebo vê na Mulher-Vintage um pouco de vovozinha, eu não quero dizer que ela é a Chapeuzinho Vermelho, querida! Eu quero dizer que o Mancebo acha que a Mulher-Vintage cozinhará e cuidará dele tal qual sua vovozinha cuidava do seu avozinho... nada de Lobo Mau nem de Caçador, sacou?!?

Mas, Lola, o Mancebo vê na Mulher-Vintage um pouco de mãe também! Ele acha que a mãe dele é uma Mulher-Vintage (por mais que ela seja uma Mulher-Mancebo!). Para o universo jurubebístico, nada é mais sagrado do que suas santas mãezinhas! Repare, Lola! Na cabeça do Mancebo-Jurubeba, a Mulher-Vintage tem que ter a postura de santa que ele atribui a sua própria mãe! Tem que ser aquele ser imaculado e sem pecado! O ser que cuidará perfeitamente da casa e da família! Aquele mito inalcançável de uma Mulher-Concebida-Sem-Pecado! Se ligue, Lola! O Mancebo-Jurubeba espera que a Mulher-Vintage venha suprir todas as suas carências de infância... desde sua obsessão por leite (vai saber!) até os cuidados pretendidos para os filhos que nem sequer vocês fizeram!!!! 

O protótipo de Mulher-Vintage, que os Mancebos tanto "caçam", deve vir acompanhado de um instrumento muitíssimo usado na Idade Média pelos maridos que iam para as Cruzadas ou guerras em geral... o lindo, fashion e super retrô Cinto de Castidade! Lola, você já viu como o cinto de castidade é lindo e funcional?!? Pois é, Lola! É um cadeado que o Mancebo-Jurubeba colocará na Mulher-Vintage dele e que somente ele tem a chave, não é romântico, Lola?!? No imaginário jurubebístico, a Mulher-Vintage é, e sempre será, casta, fiel e jamais o transformará num "minotauro"! Mesmo que para isso, o Mancebo de plantão utilize de instrumento um tanto quanto desconfortável!

Ah, Lola! Ser Mulher-Vintage deve ser tão feliz e satisfatório!! Já pensou em reviver os tempos áureos do medievo... de fins do século XIX... do começo do século XX... quando as mulheres tinham seu papel secundário garantido pelos seus Mancebos?!? Como isso deve ser lúdico, né Lola?!? Acorda, Lola, acorda!!!

Para as Mulheres-Mancebos, as Mulheres-Vintage são o protótipo do que elas repudiam! Mulheres-Vintage na ótica feminina são aquelas que falam com vozinha de bebê (tem algo mais chato?!?)... Mulheres-Vintage se vestem da cabeça aos pés de cor-de-rosa, azul bebê, amarelo-gema e todas essas cores com que decoramos os quartos dos nossos filhos recém-nascidos! Mulheres-Vintage não comem gordura, feijoada, churrasco, baião-de-dois, doces nem afins... Mulher-Vintage come folhas, verdurinhas ao vapor coisas incolores e sem sabor... Elas fazem cara de nojinho quando veem alguém traçar um chambaril ou uma picanha... Têm nojo de tudo... verdadeiras Ladys que de forma alguma se misturam com a plebe! As Mulheres-Vintage são o que chamamos hoje tão carinhosamente de "Patricinhas"... lindas, imaculadas, frescas e acéfalas! 

Você, Lola, já ouviu uma taquara rachada?!? Pronto! Essa é a voz "meiga" da Mulher-Vintage!Aquela coisa anasalada, parecendo um disco arranhado e sem possibilidade de conserto...há quem goste, Lola!

A Mulher-Vintage surge para negar todas as conquistas feitas pelo universo feminino nas últimas décadas! Mulher-Vintage que se preza, apanha calada e acha sempre que a culpa é dela! Mulher-Vintage de respeito atura o Mancebo-Galinha como se ele fosse a última coca-cola do deserto! Mulher-Vintage legítima não usa  roupa curta, não bebe, não fuma, não fala palavrão, não se zanga (só se magoa ou aborrece um pouco)... Mulher-Vintage chora por tudo, parece uma torneira que não fecha! Mulher-Vintage cuida do seu Mancebo como se sua vida começasse e findasse nele e por ele... Mulher-Vintage não tem objetivos de vida profissional, larga logo a carreira sem reclamar assim que nascem os filhos (Afinal, lugar de mulher é em casa, descalça e grávida!)... Mulher-Vintage, Lola, é sempre uma Lady para a sociedade!!! É assim que os Mancebos as querem! Verdadeiras Ladys em público... e devassas no quarto!! 

Ah! Lola! Mulher-Vintage tem que topar tudo no quarto! Ser a Mata Hari do manancial amoroso jurubebístico! Tem que fazer a linha "não me toque" quando estiver numa festa ou em qualquer lugar com audiência... mas, quando as portas do quarto se fecham, os Mancebos querem que elas interpretem o papel das Mulheres-Mancebo... descoladas, dispostas, mas, ao mesmo tempo submissas e frágeis (coisas que nós não somos!) Se for para incendiar os lençóis, Lola, ninguém toca fogo melhor do que a Mulher-Mancebo! Nem mesmo a santa-puta da Mulher-Vintage!! 

A Mulher-Vintage traz consigo um misto de complexo de édipo e espírito angelical...ela se diviniza para agradar o Mancebo... se alegra por anular-se e enquadrar-se naquilo que o mundo mancebístico escreveu para ela!  Mulher-Vintage é uma atriz, Lola! Ela segue à risca seu script social!!

E aí, Lola! Queres ser uma Mulher-Vintage?!?
"Mulher-Vintage é o caralho, Priscilla!"
Opa, Lola! Nada de palavrão aqui! Olhe os modos menina!!!

Mas, tô contigo nessa!!! 


Mancebos, meus queridos, se quiserem uma Mulher-Vintage, procurem na próxima esquina... porque aqui é Mulher-Mancebo.... e seu ideário de Mulher-Vintage que vá pra casa do... oops!!!!