sexta-feira, 15 de agosto de 2014

As Construções Míticas e a Histeria dos Pseudo Intelectuais Brasileiros





Sabe, Lola, eu procuro me abster de entrar em polêmicas pelas redes sociais, mas, desde ontem ao ver um post de um amigo intelectual, no qual ele fazia questionamentos sobre o falecimento de Eduardo Campos e a espécie de "deificação" de sua figura, como se erros fossem esquecidos após sua morte e depois de ver os comentários suscitados pelo post (afinal o amigo que o publicou é um formador de opinião carismático) não pude me abster de escrever essas linhas.

Segundo o meu querido Pierre Bourdieu, nas sociedades humanas existem mercados de bens simbólicos que são mantidos através da dominação de determinados capitais e indivíduos carismáticos. Nas engrenagens políticas e religiosas isso fica, de certa forma, mais evidente. Ou seja, grupos que detém o poder decisório raramente (praticamente nunca) irão querer perder esse controle para grupos adversários e a partir daí advém as disputas políticas que deságuam nos sistemas eleitorais mundiais. Determinados indivíduos dotados do carisma weberiano (e muito bem explorado pela teoria do Poder Simbólico de Bourdieu) são vistos como líderes de pequenas ou grandes sociedades. Alguns seres humanos, como Nelson Mandela, Martin Luther King Jr., John Kennedy, Mahatma Gandhi, são exemplos de indivíduos dotados desse elemento carismático e que a partir dele conseguiram construir uma mítica em torno de suas públicas figuras e, quando de sua morte foram alçados à categoria de mitos sociais.

O mito, segundo estudiosos como Walter Benjamin, se apropriam da linguagem para construir símbolos metafóricos que trazem em si toda uma carga mística para o devir da sociedade na qual surge e se propaga. Mas, Lola, o que me chama a atenção acerca do objeto principal desse texto, um post no facebook, é a tentativa pequena de reduzir apenas ao Brasil essas construções simbólicas em torno de tragédias e perdas de líderes políticos, sociais ou culturais. Foi assim com a morte de Ulysses Guimarães, Arianos Suassuna, Cazuza, Ayrton Senna... e agora o é com Eduardo Campos... Gostaria apenas de avisar às pessoas que estão nessa corrente que essas construções não são propriedade exclusiva nossa! E, se assim fosse, como o resto do mundo seria vazio de líderes e ícones...

Quem dentre vós não sabe que se construiu um mito em torno de figuras emblemáticas russas, como Lenin e Stalin?!?  Ou em torno de figuras norte-americanas como John Kennedy e Martin Luther King Jr.? Ou os mitos em torno de tantas outras figuras mundiais como Gandhi, Elvis Presley, Margareth Thatcher, Ronald Regan, Juan Domingo e Evita Perón, Getúlio Vargas, Che Guevara, Charles Manson, Sadam Hussein, Osama Bin Laden, Dom Helder Camara, Chico Xavier, João Paulo II, Fred Mercury, Tim Maia, Raul Seixas, Michael Jackson, Gabriel García Márques... etc... etc... etc...

Querem dizer para mim que todos estes nomes são isentos de erros?!? Que todos estes indivíduos que tiveram papéis preponderantes em suas áreas de atuação não cometeram erros, não infringiram leis?!? A criação do DOPS por Getúlio Vargas, as perseguições no seu governo, seu alinhamento inicial com Hitler e Mussolini, seu Estado Novo que era uma Ditadura Civil no Brasil... isso isentou a construção mítica em torno de sua figura?!? A resposta é simples: Não! Os casos de pedofilia atribuídos à Michael Jackson impediu que toda uma áurea de sacralidade em torno de sua figura fosse construída pelos seus fãs ( e não fãs)?!? A resposta também é Não! E Thatcher que depois de falecida foi exaltada como modelo de administração estatal?!? Sério?!? E Cazuza?!? Que tratava a mãe como lixo, traficava drogas... depois de morto foi tido como "bandido" ou como "poeta"?!? Então, meus queridos, a limpeza que a morte traz em torno das figuras midiáticas é um reflexo da necessidade humana de construir seus pseudo-heróis... como os antigos gregos construíram seus mitos em torno de figuras "públicas" como Aquiles ou Odisseu... e querem vender pras pessoas que isso é reflexo do "atraso intelectual brasileiro"?!? Façam-me o favor!!

Ao invés de incitar discussões vazias pelas redes sociais, os que se dizem intelectuais, deveriam sim estarem construindo textos sérios e embasados no conhecimento adquirido que suscitassem debates elevados e dinamizadores do conhecimento... reduzir tudo ao micro, como se o Brasil fosse o começo e o fim do mundo só mostra a pequenez de alguns que só conseguem levar suas mentes a pensarem seus próprios umbigos... por favor, façam construções globais de seus tópicos... tragam o macro pro micro mostrando suas especificidades e particularidades e parem de tentar ser grande entre meia dúzia de "seguidores" anencéfalos e  acríticos que, infelizmente, verão suas "palavras de sabedoria" como néctar do conhecimento, quando na realidade não o são...

Se querem debate, então que debatamos como adultos e deixemos as coisas infantis de quem não tem sólidos argumentos para as crianças que por qualquer besteira fazem birra!

E, tenhamos sempre em mente, Lola, que independentemente de "mitos", "símbolos" e "regenerações de caráter", devemos sempre ser éticos e respeitar as dores alheias, não porque somos inteligentes, mas, simplesmente, porque somos HUMANOS!     

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A Tragédia de Eduardo Campos... Quando Não Conseguimos Sentir a Dor do Outro...




Dia 13 de agosto de 2014. O dia começou como um dia qualquer aqui em Coimbra, nada de anormal tinha acontecido até que Elaine entra em meu quarto dizendo que Eduardo Campos tinha acabado de falecer. Levantei-me correndo para ligar meu computador, pois só pela internet para acompanhar as notícias do Brasil. Primeiro veio o choque, depois a incredulidade e a pergunta que até agora ronda a minha mente: o que está acontecendo com o mundo no ano de 2014?!? Tantas pessoas que abrilhantaram as vidas de tanta gente partindo para o plano superior de forma súbita e inesperada... Menos de um mês da perda irreparável do querido e brilhante Ariano Suassuna... O sentimento aqui em casa é de pesar e tristeza...

Mas, o que mais me chama a atenção é a falta de noção e respeito de pessoas nas redes sociais. Piadinhas e brincadeiras de muitos no Facebook demonstram a ignomínia desses, a meu ver, pseudo seres humanos! Não, meus queridos, eu não votaria em Eduardo Campos, mas isso não é motivo para desdenhar seu falecimento e fazer piadinhas de mau gosto com a dor de seus familiares e amigos!

A minha convivência com Eduardo começou na sua primeira campanha à governador de Pernambuco. Meu pai era o presidente do PSB no município de Bom Conselho, e ali naquele momento, em 2006, Eduardo frequentou a minha casa juntamente com sua mãe Ana Arraes e me empenhei junto a minha família em sua campanha... Contudo, por motivos que não cabem aqui elencar, não votei em Eduardo em 2010. Mas, vejam bem, essa é minha postura em relação ao político e não contra o homem.... Contra o político eu tinha divergências ideológicas.... tinha divergência quanto ao seu modus operandi... mas, contra o ser humano em si eu nunca tive nada a dizer, até porque, não convivia com ele de forma sistemática e pessoal...

Mas, Lola, o texto de hoje não é para falar apenas do Eduardo Campos político, candidato à Presidência da República, não Lola, o texto de hoje é sobre a banalização da morte! É sobre a falta de respeito pela dor do outro... é sobre a psicopatia coletiva que tomou uma parte da sociedade brasileira e que a leva a ser leviana e mesquinha ao falar dessa tragédia! 

Piadinhas abjetas dizendo que deveria ser Dilma ou Aécio... ou que Marina também deveria estar naquele avião... Ou que Dilma ou Aécio mandaram derrubar o avião... Ou que foi um complô de Marina para sair na cabeça de chapa... E quando vejo tais coisas me pergunto: o que acontece com o ser humano?!? Como uma tragédia dessas pode passar incólume na mente de algumas pessoas?!? Infelizmente, Lola, para mim é impossível responder essas questões!

Para além de Eduardo, partem para outra dimensão do universo outros seres humanos ligados á sua campanha. Aqui externo meus mais profundo pêsames à família Campos/Arraes, aos familiares de Alexandre Severo Gomes da Silva, aos familiares de Carlos Augusto Ramos Leal Filho, aos familiares de Geraldo da Cunha (piloto), aos familiares de Marcos Martins (piloto), aos familiares de Marcelo de Oliveira Lyra e aos familiares de Pedro Almeida Valadares Neto. Que todos os familiares e amigos tenham força para passarem por esse momento!

E, para aqueles que se comprazem em fazer piadinha infames com a tragédia alheia o meu mais profundo desprezo!  

domingo, 10 de agosto de 2014

O Significado de Ser Pai






Bom dia, Lola! Minha querida, hoje, no Brasil, se comemora o Dia dos Pais. Sei que essa data é um evento comercial, mas pensei que poderíamos fazer o texto de hoje uma dedicatória ao significado de ser Pai. Para começarmos essas linhas, trazemos uma questão e sua resposta e, a partir dela, iremos "desvendar" os caminhos da paternidade...

1. A Paternidade pode ser considerada como missão?

Sem dúvida que é uma verdadeira missão. É ao mesmo tempo grandíssimo dever e que envolve, mais do que o homem pensa, a sua responsabilidade quanto ao futuro. Deus colocou o filho sob a tutela dos pais, a fim de que estes o dirijam pela senda do bem, e lhes facilitou a tarefa dando àquele uma organização fraca e delicada, que o torna propício a todas as impressões. No entanto, há muitos que mais cuidam de aprumar as árvores do seu jardim e de fazê-las dar bons frutos em abundância, do que de formar o caráter de seu filho. Se este vier a falhar por culpa deles, suportarão o desgostos resultantes dessa queda e partilharão dos sofrimentos do filho na vida futura, por não terem feito o que lhes estava ao alcance para que ele avançasse na estrada do bem.

Ou seja, a paternidade, para além de uma escolha, é uma missão que dura uma vida inteira. Sim, Lola, paternidade é escolha, afinal, o homem escolhe se será Pai daquela criança ou não... e aqui não falo da concepção... da parte instintiva de se "produzir" um novo ser humano.... falo da escolha consciente de se fazer parte ou não da vida daquele ser que o homem ajudou a gerar... Quando o homem escolhe pelo caminho da presença, ele está escolhendo para si uma missão, muitas vezes difícil, mas, mesmo assim, uma missão que durará muitas décadas!

Existem aqueles homens que por covardia acreditam que não seriam bons pais e ao invés de verem seus filhos evoluírem como seres humanos saudáveis, se afasta e deles não procura saber nem a mínima notícia.... esses, Lola, são os "Pais Fornecedores", aqueles que apenas doaram seus espermas, mas se recusaram a doar seu amor e seu tempo na criação daquele pequeno ser que carrega 50% de sua carga genética...

Segundo André Luiz, "a paternidade e a maternidade, dignamente vividas no mundo , constituem sacerdócio dos mais altos para o Espírito reencarnado na Terra, pois através dela a regeneração e o progresso se efetuam com segurança e clareza". Mais uma vez aqui vemos a descrição da Paternidade como sacerdócio/missão... que não se restringe apenas na concepção, mas na criação e educação da criança para sua evolução no caminho do bem... Isso só se consegue cumprir quando o homem ( e também a mulher) se dedicam de forma indelével a ser o guia daquele novo ser que abriu olhos à vida, afinal, o filho que não tem seus pais como faróis a guiar-lhe o caminho dificilmente evolui para o caminho do bem e se torna como planta infecunda que jamais dará bons frutos.

Na minha experiência, no mundo, há mais Pais que abraçam esse papel de forma séria e sublime do que apenas "fornecedores"! Esses que se comprometem são tidos como os verdadeiros sacerdotes da paternidade... eles educam, brincam, cuidam e guiam seus filhos... ajuda-os a se descobrirem, apoiam seus sonhos, custeiam a realização de alguns de seus sonhos e durante todo esse processo são receptáculo de emanação e recebimento de amor... sim, Lola, amor! Não pense, querida amiga, que a Paternidade é possível sem amor! Sem amor, Lola, não haveria chance de uma relação sincera e sólida entre o genitor e sua cria... não existiriam laços, porque, querida, apenas o sangue não é suficiente para sustentar uma relação entre dois seres tão distintos por uma vida inteira...

Tenho amigas e amigos, que no dia de hoje, infelizmente, não poderão abraçara seus Pais, pois eles hoje habitam outra dimensão e deles se suprem pelas belas lembranças que foram construídas nos anos de convívio... alguns se transformaram em heróis, outros em grandes exemplos, mas todos, independentemente do "título" dado pelos filhos, serão para sempre em suas vidas chamarizes de amor incondicional e infindo!

Tenho muitos amigos que também são Pais... a eles desejo que sejam sempre luz na vida de seus filhos e dos filhos de seus filhos... que vocês, meus amigos, possam guiar seus pequeninos no caminho do bem e que sejam sempre seus melhores amigos, seu porto seguro, a rocha na qual eles construirão suas próprias estradas!!

Para todos os demais:

Pais, aproveitem o amor de seus filhos! 

Filhos, aproveitem o amor e o suporte de seus Pais!